04 de Maio de 2012
Coincidência ou não, Noel Gallagher começou e terminou o show de sua primeira turnê solo cantando “(It’s Good) To Be Free” e “Don’t Look Back In Anger”, do Oasis. E foi assim que o Vivo Rio ficou lotado, com uma mistura de fãs de Noel e de fãs apenas de Oasis. Por nenhum segundo a casa de festa ficou em silêncio, seja por gritos ou por choros compulsivos de admiradores do britânico.

Noel fala pouco, na maioria das vezes para negar o pedido coletivo do público, como o de “Wonderwall”, por exemplo, mas é generoso nos agradecimentos, sobretudo no final do show. De cara amarrada, o guitarrista conduz o show com o carisma de um antipático, culpa dos serviços prestados à boa composição ao longo dos anos. Muitas delas, do repertório solo, funcionam muito bem, como a oculta “Freaky Teeth”, esperada para o próximo álbum, numa das melhores performances da noite.

Por mais que o frontman tenha cantado oito músicas de seu antigo grupo, faltou uma certa liga entre a banda e o músico de Manchester. Possui um repertório fino, de grandes canções. Mas, juntas, elas não formam um belo conjunto. O set list é idêntico ao apresentado na véspera, em São Paulo, e dá brecha para todo o tipo de manifestação. No fundo, ele gosta de encher os fãs de saudosismo, meio de brincadeira, meio à sério, dependendo do ponto de vista. Apesar disso, não faz feio no repertório do disco solo, que o diga a ótima “Everybody Is On The Run”, ao receber um irresistível “ôôô” no final, além de “Dream On”. Juntas, elas formam uma dobradinha rara no show.

Na última parte do show, Noel fez um delicioso bis. Repetiu “Let The Lord Shine a Light On Me”, que estreou na quarta, em São Paulo, e engata três do Oasis fechando com a dobradinha “Little by Little”/”Don’t Look Back In Anger”. O público, que não deixava de cantar por um minuto sequer, continou a cantoria sem fim mesmo com as luzes acessas. Assim, ele encerra a sua apresentação, deixando todos com um gostinho de "quero mais". Por uma hora e meia, deixou muita gente com a pergunta no ar: será que Oasis voltará aos palcos?

Veja abaixo o set list completo da apresentação realizada no Vivo Rio:

1- (It’s Good) To Be Free
2- Mucky Fingers
3- Everybody’s On The Run
4- Dream On
5- If I Had a Gun…
6- The Good Rebel
7- The Death Of You And Me
8- Freaky Teeth
9- Supersonic
10- (I Wanna Live in a Dream in My) Record Machine
11- AKA… What a Life
12- Talk Tonight
13- Soldier Boys and Jesus Freaks
14- AKA… Bronken Arrow
15- Half The World Away
16- (Stanged On) The Long Beach

Bis

17- Let The Lord Shine a Light On Me
18- Whatever
19- Little by Little
20- Don’t Look Back In Anger

Pamella Renha e César Lindote

30 de Março de 2012
O público presente no Engenhão testemunhou uma das maiores apresentações da história da música. O cantor britânico Roger Waters, que voltou ao Rio de Janeiro depois de 5 anos, mostrou que mesmo no auge dos seus 68 anos, continua em forma, correndo de um lado para o outro com a disposição de um jovem.

Não dá para falar do show sem falar do grande muro de 137 metros de largura e 11 de altura. Durante o espetáculo, ele é erguido e, no final, é destruído. Nessa grande parede, imagens eram projetadas, mostrando cenas de guerra misturadas com temas contemporâneos do século 21.

Vamos as músicas. Roger abriu com "In The Flesh?", levando os fãs de todas as idades que estavam no Estádio do Botafogo a loucura. Outro grande momento foi "Another Brick In The Wall part 2". Neste momento, todos, do fã sessentão ao jovem que foi apenas por curiosidade, deliraram.

Além do show visual e das belas canções de "The Wall", o que chamou atenção foram as tentativas do britânico de falar português. "Gostaria de dedicar este concerto a Jean Charles, sua família e sua luta por verdade e justiça; e também a todas as famílias das vítimas do terrorismo de estado em todo mundo. 'The wall' não é sobre mim, mas sobre Jean e todos nós", disse sobre o brasileiro assassinado na Inglaterra e homenageado na turnê brasileira.

Waters afirmou ainda que o conceito do CD, mudou. "Quando eu escrevi The Wall estava nos meus 30 anos. Eu achei que era só sobre mim e sobre meu pai, sobre minhas preocupações. Me dei conta, nesses trinta anos, de que não é. Há implicações mais amplas. É por isso que, com a ajuda da minha equipe, nós criamos visuais que expandem o significado da obra. E tornam a polêmica mais generalizada e a história muito mais ampla do que somente eu e meu pai, minha mãe e minhas ex-esposas. Isto vocês também", disse.

Na apresentação de 2 horas e 20 minutos (e que atrasou exatos 30 minutos), foi repleta de explosões, fogos de artifício, rajadas de metralhadora, bonecos infláveis, e efeitos sonoros reproduzidos em um sistema de som poderosíssimo.

No final do show, "Outside the wall" foi tocada em versão acústica, com ukulele, banjo, acordeão, violão e trompete. "Obrigado, Rio. Vocês foram uma plateia magnífica", despediu-se Waters, que se apresenta no Estádio do Morumbi, em São Paulo, nos dias 1º e 3 de abril.

Roger Waters proporcionou uma noite inesquecível para quem teve a sorte de estar presente no Engenhão.

Confira o setlist completo do show:

PRIMEIRA PARTE
1 – "In the Flesh?"
2 – "The Thin Ice"
3 – "Another Brick in the Wall – parte 1"
4 – "The Happiest Days of Our Lives"
5 – "Another Brick in the Wall – parte 2"
6 – "Mother"
7 – "Goodbye Blue Sky"
8 – "Empty Spaces"
9 – "What Shall We Do Now?"
10 – "Young Lust"
11 – "One of My Turns"
12 – "Don’t Leave Me Now"
13 – "Another Brick in the Wall – parte 3"
14 – "The Last Few Bricks"
15 – "Goodbye Cruel World"

SEGUNDA PARTE
16 – "Hey You"
17 – "Is There Anybody Out There?"
18 – "Nobody Home"
19 – "Vera"
20 – "Bring the Boys Back Home"
21 – "Comfortably Numb"
22 – "The Show Must Go On"
23 – "In the Flesh"
24 – "Run Like Hell"
25 – "Waiting for the Worms"
26 – "Stop"
27 – "The Trial"
28 – "Outside the Wall"

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